A Batalha na UTI Neonatal: Desafios, Ciência e a Força dos Pais
- Anelise Möller

- 11 de nov. de 2025
- 4 min de leitura
Novembro é o mês que veste o roxo para olhar para a prematuridade. E, como psicóloga, meu foco se volta para a saúde mental das mães e pais que vivem a intensa experiência da UTI Neonatal.

A ciência nos trouxe avanços incríveis, garantindo a sobrevivência de bebês cada vez mais frágeis. O bebê é envolvido por incubadora que simula o útero, monitorado por fios de sensores vitais, e o ar é controlado por aparelhos de oxigenação. Mas, enquanto comemoramos esses avanços tecnológicos nos pequenos corpos, é crucial reconhecer a intensa prova emocional de quem está ao lado do berço.
Os desafios para Mães e Pais
A rotina da UTI é marcada por horários, regras rígidas e incertezas. Mães e Pais são lançados em um ambiente de vigilância crônica, onde o som dos alarmes de alerta é constante e o esgotamento da energia psíquica se instala de forma conjunta.

• A Ruptura da Rotina: A vida se adapta aos protocolos médicos e aos horários de visita, e o autocuidado se torna quase impossível para ambos.
• O Vínculo em Construção: É um desafio para o casal formar o vínculo pais-bebê através da barreira da incubadora e da interferência dos fios. O medo de tocar e o barulho dos alarmes se tornam um obstáculo emocional compartilhado.
O apoio psicológico, nesse cenário, é um pilar de sustentação. Ele ajuda a processar o luto pelo parto que fora idealizado, a gerenciar o medo e a encontrar, juntos, a força para o próximo dia.
Compartilho a Minha Experiência Pessoal
Eu vivi essa experiência de forma bem intensa, assim como todas as mães e pais de UTI. O pai do Gustavo esteve lá também todos os dias, sofremos juntos e também nos apoiamos, pois tinha dia que um era mais forte que o outro. Nosso filho Gustavo nasceu com 35 semanas – não foi prematuridade extrema – mas acabou ficando 50 dias na UTI Neonatal.

De vez em quando eu conversava com a psicóloga do hospital e às vezes recebia visita de amigas ou parentes e isso foi muito importante para mim, afinal eram muitas horas no hospital vivendo momentos de medo e incerteza. Fiz amizades com outras mães também, algumas tenho contato até hoje, esse apoio mútuo também foi essencial durante o processo!
Os parentes e amigos queriam notícias, recebíamos muitas mensagens, tinha dia que eu estava bem para responder, em outros eu não estava. Daí criei o “Boletim do Gustavo” e enviava para uma lista de transmissão para todos que clamavam por notícias. Foi a melhor coisa, tirou um peso da necessidade de responder a cada um individualmente e, ao mesmo tempo, funcionou como uma forma de extravasar e elaborar tudo aquilo que eu estava vivendo.

Tenho todos esses boletins salvos, reli para escrever esse texto e me emocionei ao relembrar esses momentos. Compartilho abaixo dois destes boletins, depois me conta o que você sentiu!
Essa vivência me deu a clareza sobre o quão essencial é o suporte para quem está nessa jornada. Não é egoísmo buscar ajuda; é o primeiro passo para garantir que a família esteja forte para o filho.
Você não precisa carregar essa intensidade sozinha(o). Entre em contato. Conte comigo!
BOLETIM GUSTAVO 31/01/2017
Oi, pessoal! Mudança de planos... A barriguinha do Gustavo está muito distendida há vários dias e os médicos resolveram operar logo. Amanhã às 8h Gustavo fará a colostomia (colocação da bolsinha para fezes). E futuramente fará a cirurgia para retirada da parte do intestino não funcional (sem previsão).
Peço que orem e mandem energia positiva para o Gustavo e para a médica Mariângela, que ela faça o melhor e que tudo corra bem!
BOLETIM GUSTAVO 07/02/2017
Oi, pessoal! O Gustavo está mamando bonitinho na mamadeira, já está sugando 40ml por vez e ontem foi retirada a nutrição parenteral pela veia. Está pesando 2,7kg. Ele ganhou uma nova caminha... Saiu da incubadora e foi para um bercinho!! Tá se sentindo o rei do pedaço, só ele na UTI tem esta regalia.
Tudo parecia ir bem e já estávamos sonhando com o dia da alta, no entanto ele apresentou um quadro de infecção e iniciou antibióticos, que serão administrados por pelo menos 2 semanas, ou seja, nada de alta por enquanto. A infecção é, provavelmente, consequência da colostomia.
Devido ao quadro infeccioso e antibióticos ele está mais sonolento e às vezes precisando de um oxigênio bem fraquinho para ajudá-lo a respirar. Por estes motivos vou esperar para amamentar, até tentei ontem mas estava dormindo e nem abriu olhinho, cada coisa em seu tempo e, principalmente, no tempo dele.
Agradecemos o carinho de todos e as mensagens! Às vezes fica difícil responder todas, mas pedimos para aguardar que mandaremos boletim sempre que possível e quando houver novidades.
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